O teatro de Maracanaú chega à principal mostra do 32o Festival Nordestino de Teatro de
Guaramiranga. No dia 13 de setembro, às 20h30, no Teatro Municipal de Guaramiranga,
o Coletivo Cangaias apresenta Josefina, uma peça-rato, espetáculo que integra a Mostra
Nordeste, eixo estruturante do festival.
A seleção reúne dez produções cênicas de todos os nove estados nordestinos. Entre
os trabalhos escolhidos, apenas dois são do Ceará: Medalha de Ouro, de Fortaleza, e
Josefina, uma peça-rato, do Cangaias, coletivo sediado em Maracanaú. A do Cangaias
presença na mostra coloca a produção da Região Metropolitana de Fortaleza em diálogo
direto com diferentes territórios, linguagens e perspectivas da cena contemporânea
nordestina.
Realizado de 12 a 19 de setembro, o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga
chega à sua 32a edição com o tema “Dramaturgia e Inclusão”, reunindo teatro, dança,
música, debates, intercâmbios e ações de formação. Desde 1993, o FNT transforma
Guaramiranga em ponto de encontro para artistas, grupos, pesquisadores e espectadores
de diferentes territórios. A edição de 2026 direciona atenção para questões de raça, gênero,
etnia, acessibilidade, comunidades tradicionais, população LGBTQIAPN+, populações
rurais, pessoas idosas e neurodivergentes.
É justamente nesse território de encontros que Josefina, uma peça-rato chega ao festival.
Kafka, de Maracanaú a Guaramiranga
Inspirado no conto Josefina, a cantora ou o povo dos ratos, de Franz Kafka, o espetáculo
acompanha uma rata que acredita ter talento para o canto enquanto vive entre a admiração
e a crítica daqueles que a cercam. Nas mãos do Cangaias, a história atravessa o universo
kafkiano para encontrar as ruas, as memórias e as experiências dos artistas de Maracanaú.
A montagem parte da pergunta sobre o que significa ser artista e sobre quem é ouvido,
reconhecido e valorizado quando decide colocar sua criação diante dos outros. As
experiências pessoais de quatro atores, a relação com o território e referências da cultura
popular e do cotidiano cearense entram em cena para construir uma Josefina que se
distancia de uma adaptação convencional e aproxima Kafka de uma realidade vivida na
periferia da Região Metropolitana de Fortaleza.
O resultado é uma dramaturgia em que ficção e realidade se contaminam, e em que a
própria trajetória do grupo se torna matéria teatral.
Em cena, o público também é convocado a ocupar um lugar menos passivo. A peça
trabalha com a quebra da separação convencional entre palco e plateia e incorpora
elementos da experiência cotidiana do grupo, incluindo música, referências populares e
situações que aproximam o espectador do universo dos artistas.
Dez anos de Kafka e uma nova encruzilhada
Josefina, uma peça-rato encerra a chamada Trilogia Kafka do Cangaias, iniciada em 2016
com Na Colônia Penal e continuada em 2020 com O Fantástico Circo do Artista da Fome.
São dez anos de pesquisa em torno da obra do escritor tcheco, acompanhando também as
transformações do próprio coletivo e de seus integrantes.
A montagem nasceu da pesquisa “Josefina: dramaturgias em labirinto”, desenvolvida no
13o Laboratório de Criação Teatral da Escola Porto Iracema das Artes, com tutoria de
Giordano Castro, do Grupo Magiluth (PE), e interlocução dramatúrgica de Assis
Benevenuto, do Grupo Quatroloscinco (MG). O processo envolveu partilhas públicas,
experimentações e o retorno constante à sala de ensaio para reorganizar a dramaturgia e
os caminhos da cena.
A trajetória do espetáculo também passa pela 13a Mostra de Artes da Porto Iracema e pela
estreia no Theatro José de Alencar, em maio, consolidando uma nova fase do Cangaias,
que em 2026 completa 16 anos de atuação.
Para o coletivo, chegar à Mostra Nordeste do FNT representa a possibilidade de fazer
circular uma pesquisa construída a partir de um território que muitas vezes aparece pouco
nos grandes circuitos da produção teatral.
“Josefina” chega a Guaramiranga levando consigo Maracanaú, suas contradições, seus
afetos, sua cultura e as perguntas que atravessam quem escolhe viver de arte na cidade.
Depois de uma década olhando para Kafka, o Cangaias encontra na personagem Josefina
uma espécie de espelho: uma artista que trabalha, insiste, se expõe e tenta descobrir se
aquilo que faz realmente importa. Agora, essa pergunta atravessa as fronteiras do grupo e
encontra o público de um dos maiores festivais de teatro do Nordeste.
SERVIÇO
Josefina, uma peça-rato
Cangaias Coletivo Teatral
Mostra Nordeste | 32o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga
Data: 13 de setembro de 2026
Horário: 20h30
Local: Teatro Municipal de Guaramiranga, Guaramiranga (CE)
Classificação indicativa: 18 anos
Acesso: gratuito
Ficha técnica
A partir da obra de Franz Kafka
Dramaturgia: Giordano Castro e Luís Carlos Shinoda
Encenação: Luís Carlos Shinoda
Elenco: Gabi Gomes, Fábio Irving, Jefferson Gonçalves e Luís Carlos Shinoda
Tutoria: Giordano Castro
Interlocução dramatúrgica: Assis Benevenuto
Produção executiva: Gabi Gomes
Assistência: Amy Sousa
Desenho de som e projeção: Ícaro Barbosa
Iluminação: Raí Santorini
Identidade visual: Tim Oliveira
Figurino e cenário: Cangaias Coletivo Teatral
Realização: Cangaias Coletivo Teatral
Mais informações: @coletivocangaias
32o Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga
12 a 19 de setembro de 2026 | Guaramiranga, Ceará
Tema: “Dramaturgia e Inclusão”
Programação gratuita
Mais informações: @fntguaramiranga | www.fntguaramiranga.com.br

