Brincar é uma das coisas que os cães mais gostam de fazer e, em muitos casos, o momento preposto do dia. Mas um novo estudo da Universidade de Berna, na Suíça, mostrou que para alguns deles, a diversão pode ultrapassar o limite e virar quase uma compulsão.
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Os pesquisadores analisaram o comportamento de mais de 100 cães que demonstravam grande interesse por brinquedos e descobriram que tapume de um terço apresentava sinais de “motivação extrema”. Esse é um padrão que, segundo os cientistas, se parece com o vício humano.
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Publicado leste mês na revista Scientific Reports, o estudo chamou atenção justamente por identificar nos animais características uma vez que fixação, persistência e falta de controle sobre o impulso de divertir. Comportamentos que, em humanos, são típicos de dependências.
Como o estudo foi feito
Para entender o que acontece nesses casos, os pesquisadores observaram 105 cães durante uma série de testes e entrevistas com tutores.
Eles mediram, por exemplo, uma vez que o bicho reagia quando o brinquedo estava disponível, fora de alcance ou quando apareciam recompensas alternativas, uma vez que petiscos ou interação com o tutor.
Dos cães avaliados, 33 não conseguiam se desligar do brinquedo, mesmo quando tinham comida ou carinho à disposição. Outros ficavam olhando para o lugar onde o objeto estava guardado ou insistiam em procurar, mesmo cansados.

“Assim uma vez que algumas pessoas jogam até prejudicar a própria vida, certos cães parecem incapazes de parar de divertir. Porém, nem todo exaltação é um vício. Ainda não temos critérios clínicos para definir quando o prazer se torna patológico”, disseram os autores.
Semelhança com seres humanos
Segundo o estudo, esse tipo de comportamento mostra um padrão repetitivo e difícil de interromper. Embora não seja considerado “vício” no sentido médico humano, tem semelhanças com ele.
Os pesquisadores preferem falar em “motivação excessiva”, porém, reconhecem que as semelhanças chamam atenção. Em ambos os casos, o comportamento começa uma vez que alguma coisa prazeroso, e pode evoluir para uma repetição compulsiva.
Nos humanos, atividades uma vez que jogos ou apostas estimulam os mesmos circuitos cerebrais de recompensa associados à dopamina e aos opioides, por exemplo.

Por isso, especialistas acreditam que investigar essas semelhanças entre espécies pode contribuir para compreender melhor as biologia por trás dos vícios comportamentais.
“A invenção pode levar a uma melhor compreensão também sobre os vícios humanos”, afirmou Alja Mazzini, uma das principais autoras do estudo.
Raça e personalidade podem influenciar
Nem todos os cães apresentam esse tipo de fixação, e os cientistas acreditam que segmento da explicação está na genética. Raças criadas para o trabalho, uma vez que border collies e pastores, apareceram com mais frequência entre os casos observados.
Esses cães costumam ter cumeeira nível de robustez e um sistema de recompensa muito sensível. Isso faz com que sejam excelentes para tarefas uma vez que pastoreio e procura, mas também mais propensos à preocupação em contextos domésticos.
Além da genética, o envolvente e o estilo de vida também contam. Tutores que estimulam demais o cão com um mesmo tipo de brinquedo ou não oferecem outras atividades podem finalizar reforçando o comportamento.
Por outro lado, variar os estímulos, como passeios, treino e interação social, com certeza vai ajudar a lastrar o bicho.

Como identificar e evitar o excesso
Os pesquisadores orientam que os tutores fiquem atentos a alguns sinais de alerta:
- O cão brinca de forma intensa e repetitiva, mesmo cansado;
- Ignora outros estímulos, uma vez que comida, passeio ou interação;
- Demonstra sofreguidão quando o brinquedo é retirado;
- Passa boa segmento do tempo obcecado pelo mesmo objeto.
Se o brinquedo deixou de ser diversão e passou a dominar o dia a dia do pet, vale repensar a rotina. Alternar tipos de brincadeiras, oferecer pausas e supervisionar o tempo são medidas que ajudam a evitar a compulsão.
Em casos mais severos, quando o cão se machuca, fica goro ou demonstra ansiedade excessiva, o ideal é procurar um veterinário comportamentalista para julgar o bicho.





