Saúde

Julho amarelo alerta para prevenção a hepatites virais

O mês de julho agora também é amarelo. A ação, colocada em prática desde o ano passado, chega para chamar atenção para luta contra as hepatites virais. Em todo o país, ela tem por objetivo reforçar as iniciativas de vigilância, prevenção e controle da doença.

Os males causados pelos vírus podem ser inúmeros, vão desde amarelidão nos olhos, perda de peso, inchaço nas pernas, cirrose até a necessidade de um transplante de fígado. As formas de contágio também. Mas atitudes simples de higiene pessoal e noções de educação sexual podem fazer com que fiquem no passado, por exemplo, os 175 casos de hepatite B e 196 de hepatite C confirmados no Ceará em 2018. Os dados são do Ministério da Saúde.
Atualmente existem cinco tipos de hepatites. O tipo A da doença, no entanto, concentra mais casos nas regiões Norte e Nordeste do país. De acordo com o MS, juntas, elas representam 56,2% das infecções confirmadas entre 1999 a 2017. O Sudeste, neste apanhado de mais de 15 anos, tem 17,1% dos registros. Apesar do alto índice de casos do tipo A, o maior número de notificações ainda é de hepatite C, que apresentou 11,9 casos para cada 100 mil habitantes em todo o Brasil em 2017, com 24.460 pessoas infectadas. No total, foram 40.198 registros de hepatites virais (A, B, C e D) em 2017.
De acordo com o médico infectologista do Hospital Prontocardio, Carlos Jaime, as hepatites crônicas são doenças delicadas por serem silenciosas. ˜Na grande maioria dos casos, os pacientes não apresentam sintomas. Quando o corpo começa a mostrar algum sinal é possível que a doença causada por hepatite viral crônica já tenha comprometido em graus variados a função do fígado. Por isso que é importante o diagnóstico precoce com tratamento adequado”, afirma.

A necessidade da prevenção existe por causa dos prejuízos para a saúde que a doença pode causar. “Hoje em dia o tratamento para hepatite viral causada pelo vírus C, por exemplo, pode ter eficácia bem elevada, acima de 90% do casos (a depender das condições da doença no paciente ), quando detectada e tratada precocemente. Antigamente essa a taxa de cura era de 40%. Infelizmente a prevenção com vacina ainda não está disponível para o vírus da hepatite C. Em relação ao vírus da hepatite B sim, há vacina que proporciona níveis de proteção aos pacientes sem a doença”, lembra.

Um dos impactos da hepatite no ser humano é a redução do tamanho do fígado, o principal órgão responsável pelo metabolismo do organismo. Quando há disfunção deste órgão, a pessoa pode sofrer com perda de peso, fraqueza generalizada, apatia e acontece distúrbio de coagulação do sangue (o indivíduo pode ter sangramentos). “Existem muitos casos de transplante do fígado devido à falência do mesmo, quando a doença já está bem avançada (anos após o indivíduo contrair a infecção). Isso sem contar com o risco de desenvolvimento de câncer de fígado que a infecção crônica pode ocasionar. O uso de preservativos, o não compartilhamento de agulhas contaminadas, o não uso objetos contaminados com sangue de paciente infectado (há casos de contaminação com o uso de alicates em salões de beleza), a vacinação contra hepatite B, são estratégias que ajudam na prevenção, diminuindo drasticamente o número de casos da doença”, conclui o médico.